Se você tem planos de visitar Veneza em 2018, é melhor repensar a sua viagem. Pelo menos é isso o que sugere a TV norte-americana CNN ao divulgar uma lista com as 12 cidades a serem evitadas este ano. A primeira delas, por incrível que pareça, é o destino preferido pelos casais apaixonados – e considerada a cidade mais bonita do mundo. E o motivo do alerta é: superlotação.

Segundo a CNN, cerca de 30 milhões de turistas visitam todos os anos a bela cidade italiana conhecida pelos seus canais. Para efeito de comparação, a população de Veneza é de apenas 55 mil habitantes. O problema é antigo e os próprios moradores já fizeram manifestações públicas quanto ao movimento exagerado.

Tanto que, depois de vários protestos, existem planos para restringir o público na região, começando pela proibição de cruzeiros pelo canal Giudecca. Isso, por si só, já mudaria totalmente o cenário em Veneza (acredita-se).

Riomaggione, a mais charmosa das cinco cidades que formam a região conhecida como Cinque Terre, na Itália

Outra região da Itália que você não deve visitar em 2018 – novamente de acordo com a CNN – é Cinque Terre, formada por cinco cidades encantadoras na riviera italiana: Monterosso, Vernazza, Riomaggiore, Corniglia e Manarola. O governo local estabeleceu um limite de 1,5 milhão de turistas por ano. Em 2015, este número bateu 2,5 milhões, o que ocasionou a mudança. Nós tivemos a oportunidade de conhecer as cidades em 2017 e, acredite: Cinque Terre é um dos lugares mais belos que já fomos na vida. É ENCANTADOR.

Seguidores do Viaje Por Conta têm desconto em reservas de hotéis na Booking.com. Por tempo limitado.

 

Conheça as outras 10 cidades que você não deve ir em 2018 segundo a CNN:

Barcelona, Espanha

Em 2016, 34 milhões de pessoas visitaram a capital da Catalunha – um aumento de 25% em relação a 2012. Os moradores da cidade, obviamente, começaram a se preocupar com a situação e o ataque terrorista em Las Ramblas no ano passado fez a cidade se mexer.

Protestos pela independência tomaram conta de Barcelona. Até o Airbnb virou alvo dos habitantes e o governo limitou o número de leitos na cidade para tentar enfrentar o problema.

O belíssimo Palácio Nacional de Barcelona, que abriga o Museu de Arte da Catalunya

Dubrovnik, Croácia

A cidade já era uma queridinha dos turistas, que lotavam as ruas da pequena capital, patrimônio mundial pela Unesco, chegando principalmente de cruzeiros. Mas depois que a série Game of Thrones passou a usar Dubrovnik como um dos seus principais cenários, o turismo explodiu.

Exatamente por isso, existe um limite diário de visitas: 4 mil turistas. Para se ter ideia, em 2016, em apenas um dia de agosto (verão na Europa), Dubrovnik recebeu 10.388 mil pessoas. Restrições contra cruzeiros também estão sendo estudadas pelo governo.

Dubrovnik, na Croácia, pode receber no máximo 4 mil turistas por dia

Santorini, Grécia

A badalada ilha grega é realmente um paraíso – e, como a maioria das cidades desta lista, parada importante de transatlânticos. O pôr do sol em Santorini é considerado um dos mais belos do mundo, o que fez 2 milhões de pessoas visitarem a minúscula ilha em 2017 (850 mil a bordo de cruzeiros).

O limite diário de turistas na ilha foi estipulado em 8 mil pessoas, mas a própria população tem crescido muito em Santorini. Com isso, existe a preocupação de a ilha perder o seu característico charme. Dica: se você quer realmente conhecer Santorini, se hospede nela e esqueça os cruzeiros.

Vista impressionante de Santorini, ilha grega vulcânica que recebe cruzeiros de abril a setembro

Butão

A taxa de turismo para visitar este país que tem crescido aos olhos dos viajantes é pesada: entre 200 e 250 dólares por dia (com um acréscimo de 40 dólares se você viaja sozinho ou em apenas 2 pessoas). E isso, por si só, já tem controlado o público que deseja conhecer a região.

Mesmo assim, a população de Butão está preocupada com o impacto ambiental que o turismo causa no frágil ecossistema do país. E não querem que a economia dependa dos turistas.

Butão cobra altas taxas de turismo para tentar evitar multidões e preservar o país

Taj Mahal, Índia

Bom, nem é preciso dizer que, naturalmente, a Índia é um lugar extremamente movimentado. Mas apenas no Taj Mahal recebe 8 milhões de visitantes todos os anos (sendo 50% desse total turistas estrangeiros). Ou seja, por si só, a experiência já é caótica (tanto que o ideal é visitá-lo no amanhecer, quando os portões se abrem).

A grande questão do local é que o mármore está perdendo o tom branco característico e a poluição no entorno tem aumentado muito, principalmente no rio Yamuna. Por isso, as autoridades querem limitar o número de visitantes locais (que pagam um valor simbólico, de centavos, para entrar), enquanto os turistas pagam cerca de 15 dólares.

O estonteante Taj Mahal, símbolo maior da Índia, está amarelando

Monte Everest, Nepal

Os locais têm reclamado constantemente que o número de visitantes tem aumentado e que muitas pessoas estão se expondo perigosamente à montanha mais alta do mundo. Em 2015, o governo limitou as permissões apenas para alpinistas com experiências em picos altos.

Porém, o Nepal foi adiante e proibiu cegos, pessoas amputadas duplamente (com exceção daquelas com certificado médico) e alpinistas sozinhos (a exceção é com o acompanhamento de um guia) a escalarem tanto o Everest quanto qualquer montanha no país central do Himalaia.

A ideia, obviamente, é evitar o aumento de acidentes e mortes que têm acontecido na montanha.

Nepal estabeleceu uma série de restrições aos alpinistas que desejam conquistar o Monte Everest

Machu Picchu, Peru

Em 2016, 5 mil pessoas visitaram Machu Picchu por dia. Sabe o que isso representa? O dobro do número recomendado pela Unesco. Para segurar este número, estrangeiros precisam obrigatoriamente subir ao local sagrado com um guia.

Desde julho do ano passado, o Governo do Peru limitou o horário de visita ao Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu, das 6h às 17h e fixou o número de 2,5 mil pessoas por dia. Por enquanto, as normas ainda não surtiram muito efeito, algo que deve vir a longo prazo.

A sugestão então tem sido visitar Machu Picchu entre outubro e abril, na época das chuvas, o único período do ano que o local não está completamente lotado.

Machu Picchu, no Peru, um dos lugares mais belos do mundo, também enfrenta problema de superlotação

Galápagos, Equador

Tem sido difícil proteger um dos mais importantes e famosos habitats naturais do mundo. Os visitantes são restritos a lugares específicos e só podem fazer trilhas acompanhados de guias. Mesmo assim, o governo do Equador criou em 2017 novas regras para o local.

Os visitantes vão ser obrigados a mostrar a passagem de retorno assim que chegarem em Galápagos, ter uma reserva de hotel ou a carta-convite de um residente informando que ficará na casa dele e um cartão especial de trânsito que controlará a entrada e saída dos turistas.

Apesar de já terem sido criadas, ainda não foi estabelecido quando as regras vão entrar em vigor.

Governo do Equador exigirá uma série de documentos dos turistas que desejam conhecem Galápagos

Antártida

Este é o último deserto da Terra. Pelo menos é assim que muitas vezes a Antártida é descrita. Mas não é de hoje que os cientistas estão preocupados com o impacto que o turismo tem causado no Polo Sul.

Atualmente, barcos que circulam pelo continente não podem levar mais de 500 pessoas, sendo que muitos não chegam a levar 100 passageiros por vez. Isso acontece devido as regras bem restritivas que existem por lá em relação a quantidade de pessoas que podem chegar ao mesmo tempo.

E, apesar de não existirem residentes permanentes no Polo Sul, o número continua crescendo, com 44.367 turistas viajando para a Antártida na temporada 2016/2017.

Até o Polo Sul tem sofrido com a superlotação. Cientistas estão preocupados com o turismo na Antártida

Ilha de Skye, Escócia

A infraestrutura na maior ilha da Escócia, em 2017, quase ruiu devido ao montante de turistas que decidiram explorar a região, em carros e ônibus que são obrigados a circular pelas vias estreitas que levam às remotas fairy pools (piscinas de fadas) de Glen Brittle. Este é o ponto mais icônico para ver o pôr do sol e os pináculos, sendo o mais famoso deles o Old Man of Storr.

Moradores da ilha começaram a fazer reclamações formais sobre os turistas – sendo uma delas a de que muitos visitantes urinam em público, já que não há muita estrutura no local. Policiais tem orientado os visitantes a só irem para a região se tiverem onde ficar. Fora do verão, a região é mais tranquila.

Pôr do sol em Glen Brittle, na Ilha de Skye, na Escócia. Infraestrutura prejudicada com o aumento de turistas

Veja mais:

Saiba quais foram as duas cidades que odiei em dez anos de turismo pelo mundo (e mais duas de bônus)

Seguidores do Viaje Por Conta têm desconto em reservas de hotéis na Booking.com. Por tempo limitado.

O dia que eu vi um gato amarelo no corredor do avião a 11 mil metros de altitude.

Confira como foi nossa viagem por Paris.

Inscreva-se no nosso canal no Youtube.

Veja outras histórias curiosas aqui.

Não deixe de curtir a nossa página do Facebook.

Ficou com alguma dúvida ou quer sugerir algum tema, entre em contato com a gente.

Autores: Fábio Trindade e Tiago Stachetti

Fábio Trindade

Jornalista e viajante profissional @fatrindade

2 thoughts on “12 destinos para evitar em 2018

  • Oi Fábio e Tiago! Parabéns ao blog por informações importantes. Procurando algo para visita à Assis, de trem por ser mais econômico pra mim, o blog foi o que mais me deu uma luz como visitar esse lugar mágico espiritual, vou seguir as orientações para conhecer 1o a Porziuncula , descendo do trem vai a pé até a igreja? E depois retorno patê a estação e pego um ônibus circular até as proximidades da igreja de São Francisco e Santa Clara? Obrigada!

    Resposta
    • Oi Vera, obrigado pelo retorno e que bom que nosso roteiro vai te ajudar. Isso mesmo, se você chegar de trem, o melhor é conhecer a Porciúncula e depois seguir de ônibus pra Assis, descendo pertinho da Basílica. Aproveite bastante esta cidade linda e deixo aqui tbm a nossa reportagem de lá https://viajeporconta.com.br/category/europa/italia/assis/

      Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *